03
jan
09

A Sala de Som – por: Carlos Eduardo Esmeraldo

Há cerca de vinte e cinco anos, fui procurado por um cliente da Coelce que reclamava do exagerado consumo de energia elétrica de sua residência, segundo ele, bem acima do consumo registrado nas casas dos seus vizinhos. Analisei o histórico do consumo da residência daquele cliente e verifiquei que durante muito tempo mantinha-se estável. Perguntei que tipo de aparelhos ele tinha instalado em sua casa. Surpreendentemente ele me convidou para eu ir pessoalmente conhecer sua casa e mais surpreendente ainda, eu aceitei o convite. Até o ponto em que havia examinado, a casa não tinha nada de extraordinário que justificasse aquele consumo. Então ele me convidou para vistoriar o quarto do casal. Um aposento sóbrio, decorado com muito bom gosto, com TV, e ar condicionado. Ele me conduziu por uma porta que ligava o quarto do casal a um aposento num andar superior, ligado por uma estreita escada, revestida com lambris de madeira. Naquela sala estava instalado um rico estúdio de áudio e imagem, somente comparável em tecnologia ao DM Estúdio do Blog do Crato, conforme fotos vistas recentemente. Expliquei que ali estava a razão do alto consumo de sua conta mensal. Para minha surpresa, ele me confidenciou que construíra aquele estúdio com muito gosto, mas tinha uma tristeza muito grande; sua esposa não vinha participar com ele de seus momentos de lazer naquele ambiente tão ricamente instalado. Anos depois, eu estava conversando com um padre da nossa cidade, muito nosso amigo, quando a mulher daquele cliente da Coelce, ignorando minha presença, cortou nossa conversa e iniciou um rosário de lamentações contra o marido, queixando-se de muitas grosserias que ele lhe fazia e da falta de atenção dele. Sem querer me meti na conversa, transformando-me involuntariamente em conselheiro matrimonial no lugar do padre. Então disse àquela senhora: “Mas ele se queixa que construiu uma sala de som acima do quarto de vocês e lhe convidou várias vezes para você ir ouvir música com ele e você nunca foi.” Ela prontamente respondeu: “Ele queria que eu fosse pra lá para fazer ‘safadeza’ com ele.” E eu então emendei: “Então vá, você não é a mulher dele?” A gargalhada do padre denunciou sua aprovação à minha intervenção. Jamais soube se o meu conselho foi aceito para alegria daquele cliente reclamador.

Por: Carlos Eduardo Esmeraldo


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