02
jan
09

O Poder e a Popularidade – Por A. Morais

Com o resultado das eleições e a posse dos eleitos, os institutos de pesquisas se apressam em apresentar os altos índices de popularidade de pessoas detentoras de poder. Nem os pesquisadores nem os pesquisados observam as verdadeiras causas e razões de tão elevados índices. Muitos chegam a se valer dessa popularidade, se acham um eterno e esquecem que o poder é passageiro. Para estes, vale como exemplo, uma historinha do Senhor Virgilio Távora, governador do Ceara por mais de uma legislatura, deputado federal, senador da republica e político de grande influencia no cenário estadual e federal.

Há quem diga que o Senhor Virgilio Távora era um barriga branca de cabresto, tamanca, canga e cambão. Em 1981, na escolha do candidato à sua sucessão, sua esposa Luiza, foi quem fez a indicação. Caberia ao então secretario de planejamento do estado Dr. Gonzaga Mota, funcionário de carreira do BNB e menino de recado da primeira Dama do Estado concorrer pela situação. Ninguém ousaria discordar da indicação tamanha era a popularidade do governador e partiram para campanha via interior do estado.

Num determinado dia, a comitiva visitou o município caririense de Potengi. Todas as lideranças das cidades circunvizinhas estavam amontoadas juntas com o povo num campo de futebol na periferia da cidade. Bandeiras, carro de som, banda de musica, cinco caboclos soltando foguetões e eu lá observando o movimento, com os amigos Virgilio Xenofonte e Pedro Saraiva, afinal de contas éramos simpatizantes do candidato a vice-governador. Quando o Helicóptero se aproximou foi aquele corre corre, gente passando por cima de gente, tudo para ver o candidato a governador. Depois do pouso a poeira cobriu, parecia um tufão, o povo voou em cima feito louco nem se preocupava com as hélices que ainda rodavam como um carrossel de cavalinhos. O Gonzaga Mota se jogou nos braços do povo que saiu carregando rumo a um pequeno caminhão que o esperava um pouco adiante para uma passeata nas ruas da cidade. O Governador Virgílio Távora ficou aguardando a poeira baixar e quando desceu da nave, de paletó, sem gravata, assungando a calça, observou a distancia de 400 metros a festa para o futuro governador e saiu sozinho, falei sozinho, andando em direção ao carro que o aguardava para o inicio da carreata. Embora com todas as chances para se eleger o Mota era apenas o candidato e o governador já via seu prestigio em baixa, indo pelo ralo. Para completar o Gonzaga apoiou outro candidato derrotando o nome do seu padrinho político nas eleições de 1986.

Estamos assistindo a posse de uns e a menos de dois anos das próximas eleições e quando o quadro começar a se desenhar veremos a cambada que vem se aproveitando do poder há mais de 60 anos, começar a procurar rumo e os próprios institutos de pesquisas mudarem os dados, veiculos de comunicaçõa com novas ideias. Nunca foi diferente e não será agora que vai ser. A política tem essas proezas que, muitas vezes, não são observadas nem pelos próprios políticos que, vez por outra, quebram a cara graças à habilidade e sabedoria do povo. A euforia do inicio nem sempre coincide com o crepúsculo. È bom dividir a popularidade com a caneta e o Diário Oficial que ficam, enquanto o ocupante do cargo passa, é bom ter um pouco de humildade se não depois pode ter que relaxar e gozar por um bom tempo.

Por: Antonio Morais
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