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A ocupação da Amazônia I

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Adriano Benayon – 07.11.2008

1. Objetivos do Brasil

A Amazônia brasileira vem sendo objeto de crescente ocupação por entidades estrangeiras. De há muito, políticos, militares e quadros vinculados ao sistema mundial de poder contestam a plena soberania do Brasil sobre a região. Ora, a soberania, ou é plena, ou não existe.

Para citar alguns: Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, 1989; François Mitterrand, presidente da França, 1989; John Major, primeiro-ministro da Inglaterra, 1992; Mikhail Gorbatchev, presidente da URSS, 1992; General Patrick Hugles, chefe do órgão central de informações das Forças Armadas dos Estados Unidos, 1998; Pascal Lamy, da Comissão da União Européia, 2005, atual diretor-geral da OMC.

Há poucas ONGs em atividade para atenuar as ingentes dificuldades em que vivem dois terços da população do Nordeste e do Centro-Sul, mais de 100 milhões de pessoas. Entretanto, centenas de milhares de organizações estrangeiras agem na Amazônia, onde a densidade demográfica é mínima, não há fome, nem problema em obter água, comida e abrigo.

Não move este trabalho antipatia pelas nacionalidades cujas oligarquias, movidas por ilimitada cobiça, fazem do Brasil um país conquistado, não de hoje e não só na Amazônia. Interessa-nos o destino dele e, em conseqüência, ter presentes os objetivos que se deve buscar em relação à Amazônia: primeiro, conservá-la integralmente como território nacional e com pleno exercício da soberania sobre ela; segundo, utilizá-la em benefício da sociedade brasileira e da humanidade.

Esses objetivos são compatíveis e, mais que isso, complementares. Mas, para ter o Brasil futuro na Amazônia, terá de encontrá-lo em todo o território nacional. A perspectiva de perder, aos poucos, a Amazônia só se tornou possível, porque, desde há mais de 50 anos, o País foi perdendo o comando de sua própria economia.

A premissa básica é a autodeterminação do País. Dela deriva o conceito de sociedade aberta aos que a ela se desejem incorporar e, ao mesmo tempo, consciente de que não lhe convém guiar-se por conselhos, nem por imposições, do exterior.

2. Vulnerabilidades

Não há como realizar a autodeterminação sem se liberar de três vulnerabilidades, advindas de ideologias, e não, de realidades objetivas: a dívida pública; o ambientalismo; as reservas indígenas. Esses temas são objeto de intensa manipulação, com o fito de condicionar a opinião e o governo brasileiros a ceder aos desígnios de grupos financeiros e grandes potências de dominar a biodiversidade e os recursos minerais e energéticos da Amazônia.
Antes de examinar cada vulnerabilidade per se, consideremos as interações entre as três. 1) a penúria financeira imposta ao setor público assegura que a Amazônia não seja ocupada senão esparsamente por brasileiros; 2) o ambientalismo predominante – financiado por grandes poluidores mundiais – inculca a idéia de deixar intocada a região, coibindo aproveitamentos infra-estruturais ou econômicos por brasileiros; 3) imensas reservas indígenas segregam do território efetivamente nacional zonas estratégicas por sua riqueza mineral, agrupando-se nelas tribos arregimentadas por fundações e entidades religiosas internacionais estipendiadas por membros da oligarquia financeira mundial.

Em suma, as três vulnerabilidades decorrem de um móvel comum: afastar os brasileiros da região. Além disso, a 2ª e a 3ª envolvem pôr sob o controle de fundações, ONGs e entidades a serviço da geopolítica imperial imensas terras designadas para alegadamente preservar o meio-ambiente e a identidade de etnias indígenas.


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