05
jan
09

Geopark Araripe pode perder selo da Unesco

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A bacia sedimentar do Araripe é geológica, paleontológica, arqueológica e ecologicamente muito rica, mas precisa preservar esse patrimônio (Foto: Thiago Gaspar)

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Fósseis de insetos, com estruturas delicadas, demonstram a importância do acervo (Foto: Cid Barbosa)

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Na bela cachoeira de Missão Velha, os marcos do geotope Devoniano foram depredados (Foto: Cid Barbosa)

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Se o Governo não dotar o Geopark Araripe de infraestrutura para acesso e visitação, ele pode perder selo

Fortaleza. Contendo provas inequívocas da existência de um continente ancestral (Gondwana), conforme as pesquisas do alemão Gero Hillmer, o Geopark Araripe continua sendo o único, dentre 59 os geoparks no mundo, localizado nas américas, assim como no Hemisfério Sul. Mas, como planos, projetos, promessas e divulgação não garantem a preservação do patrimônio, o Estado deve ser submetido, em 2009, a nova avaliação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e, não preenchendo os requisitos, pode perder o selo Geopark. O reconhecimento internacional ainda carece do equivalente local, no que diz respeito a investimentos concretos para a garantia da preservação desse grande patrimônio geológico presente na Bacia Sedimentar do Araripe. Passados dois anos da oficialização do Geopark Araripe, pela Unesco, as ações para a sua concretização ainda permanecem no campo das promessas governamentais. Essa é a avaliação do curador do Plano de Divulgação do Geopark, arquiteto José Sales.

O Governo do Estado do Ceará, por sua vez, garante que o Geopark Araripe — por coincidir geograficamente com o Projeto de Desenvolvimento Econômico Regional do Ceará -Cidades do Ceará – Cariri Central, ligado à Secretaria das Cidades, — é sim prioridade. A coordenadora do Cidades do Ceará – Cariri Central, Emanuela Monteiro, explica que os três principais eixos de investimentos previstos ao longo dos próximos cinco anos, partindo de 2009, são: infra-estrutura, apoio ao setor privado e fortalecimento institucional (garantia de sustentabilidade). No caso do Geopark Araripe, destaca, há um “caldeirão de possibilidades” redescoberto nos últimos seis meses, com um projeto amplo de desenvolvimento regional, considerando as duas atividades-chave: turismo e calçados; com previsão de abranger Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e mais seis municípios: Santana do Cariri, Nova Olinda, Farias Brito, Caririaçu, Missão Velha e Jardim. “Com características ímpares, o parque abre essa possibilidade de incorporar o setor produtivo”, explica. Dentro do Programa Estadual do Geopark, segundo Emanuela Monteiro, a distribuição de responsabilidades está sendo incorporada, com reuniões constantes. A Universidade Regional do Cariri (Urca) continua sendo a gestora oficial, incluindo pesquisa e extensão. Mas a mobilização geral fica com a Secretaria das Cidades.

Estão distribuídas entre órgãos afins, ações como gestão e educação ambiental; sensibilização da comunidade; apoio à atividade turística e animação cultural; comunicação e divulgação; integração das atividades econômicas; governança, construção de parcerias e alavancamento de negócios; assim como estruturação física dos geotopes ou geosítios (acesso e infraestrutura local); manutenção; e também segurança. O diagnóstico está entre as primeiras medidas. A prioridade dos investimentos está no plano de negócios, sinalização e identidade visual, construção de sede (já licitada) e estruturação de um geotope piloto. Também estão previstas ações complementares, como a construção do Centro de Eventos e Cultura do Cariri, no Crato, com licitação prevista para o primeiro semestre de 2009. Adicionalmente, conforme Sales, até o fim do primeiro semestre, o Museu Paleontológico da Universidade do Vale do Cariri (Urca), em Santana do Cariri, deve reabrir suas portas ampliado e reestruturado. Ele informa que a exposição, até a semana passada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, migra para o Centro de Arte e Cultura do Bom Jardim. Também já há convite para que circule por outras capitais e por Boston (EUA).

FIQUE POR DENTRO
Riqueza incalculável sob solo cearense

Geopark é um território protegido, importante pelos valores geológicos, paleontológicos, arqueológicos, ecológicos e culturais. O objetivo é dar visibilidade a essa riqueza e estimular o desenvolvimento da pesquisa, do turismo e da cultura regionais. O que chama a atenção, no caso da Bacia do Araripe, é o estado de conservação dos fósseis. Os exemplares são tão preservados que é possível, em alguns casos, identificar o conteúdo estomacal dos animais, sendo possível fazer a reconstituição de cadeias alimentares de 110 milhões de anos atrás.

DESCASO COM O PATRIMÔNIO
Sinais de abandono crescem nos geotopes

Fortaleza. O Geopark Araripe é composto por uma rede de monumentos naturais, selecionados por conter os registros mais relevantes da formação geológica da região, essenciais para a compreensão da evolução do planeta. Sua missão principal é preservar esses patrimônios naturais e divulgar a história da Terra por seus registros geo-paleontológicos, missão esta que ainda carece de muitos investimentos. Dos nove geotopes — Exu, Arajara, Santana, Ipubi, Nova Olinda, Batateira, Missão Velha, Devoniano e Granito — três ficam no município de Santana do Cariri, considerado capital paleontológica do Brasil e que também abriga o Museu Paleontológico da Universidade Regional do Cariri (Urca); outros dois ficam em Missão Velha e os demais, em Nova Olinda, Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte. Quando a reportagem do Diário do Nordeste esteve na região, com o objetivo de fazer o caderno especial, publicado em outubro de 2007, alguns destes locais já apresentavam sinais de abandono e depredação. Mas, o tempo passou e, sem ações concretas, os problemas se agravaram. Só para citar algumas situações: o processo de favelização, na Colina do Horto, em Juazeiro do Norte, avança sobre o geotope Granito; os marcos, na cachoeira de Missão Velha, que identificam o geotope Devoniano, foram integralmente depredados. Por fim, ambientalistas não conseguem cochilar sem que uma nova agressão à nascente e entorno do Rio Batateira, no Crato, ponha aquele ecossistema em risco. Esse abandono, além de ameaçar a integridade desses patrimônios naturais, afugenta potenciais turistas, que não vêm atrativos ou segurança para permanecerem naqueles locais e afugenta também os investimentos que a região atrai, em função, principalmente, do turismo e da pesquisa relacionada à Paleontologia, Geologia, Arqueologia e outros.

AMPLIAÇÃO
Proposto Complexo da Ibiapaba

Fortaleza. A Bacia do Araripe está totalmente contida na ecorregião do Complexo da Ibiapaba, que inclui as chapadas do Araripe e da Ibiapaba, se estendendo pelo Piauí, com uma dimensão de 70 mil quilômetros quadrados. Do ponto de vista territorial, a Mesorregião do Araripe integra, além do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Piauí, formando a figura de um “Y” invertido. Este contexto inclui aproximadamente 20 unidades de conservação, que potencializam integração regional visando a proteção e conservação ambiental. Como curador do Plano de Divulgação do Geopark Araripe, José Sales alimenta o sonho de ver os geotopes ampliados por toda esse complexo de serras. A Bacia do Araripe, nos limites geográficos do Ceará, Pernambuco e Piauí, ocupa cerca de dez mil quilômetros quadrados. Ela contém traços da ruptura entre a América do Sul e África (continente primaz Gondwana), ocorrida há 120 milhões de anos, dando origem aos continentes do Hemisfério Sul, África, Oceania e também ao Oceano Atlântico, em sua porção Sul, conforme destaca, em seus estudos, o pesquisador alemão Gero Hillmer, que, com os pesquisadores Alexandre Sales e André Herzog publicou, em 2008, o livro “O Geopark Araripe/Ceará: uma pequena evolução da vida, rochas e continentes”, respectivamente na Alemanha e no Brasil.

Maristela Crispim
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

04
jan
09

O SONHO E A MULTIDÃO INCONSCIENTE DE SI: O SONHO É UMA REALIDADE PARA QUEM SABE SONHAR

Numa noite recente sonhei que estava nu caminhando por uma longa estrada no sentido contrário ao de uma multidão. Eu não sabia naquele momento porque caminhava no sentido oposto deles, mas sentia que tinha de continuar assim: nu e sozinho! Olhei para cada rosto que passava. Em cada um tentei encontrar uma razão, um motivo que me desse a certeza de que estava seguindo a natureza correta da vida. Vi em cada um os passos apressados em busca de uma finalidade da vida. Então, me indaguei se todos eles seguiam em direção a finalidade da vida então a minha direção seria o princípio da vida, da existência de eu estar nesse mundo? Mas, como eu poderia saber onde está o fim e o princípio da vida? Como podemos distinguir o fim do início? E se eu estivesse certo, a maioria estaria seguindo por um caminho de desvio do princípio explicador da vida. Era preciso agir e refletir, foi aí que perguntei a um senhor que caminhava com a multidão:
- Por que vocês caminham nessa direção?
O que ele me respondeu:
- “Não te disseram que a vida só tem sentido verdadeiro quando caminhamos todos juntos?”.
- Não entendo porque teríamos que seguir juntos se nascemos aparentemente separados? – respondi.
- É porque juntos temos a melhor condição de não nos perdermos? – respondeu.
- Mas perder de que? – perguntei.
- Perder a consciência coletiva – respondeu o senhor.
- Ainda não entendi – respondi.
- Você saberá quando chegar ao fim dessa longa caminhada – afirmou com convicção o senhor.
Decidi continuar no meu caminho e iniciei uma reflexão interior. O medo de perder a consciência coletiva seria o impulso natural para a sobrevivência da espécie humana? Cada um de nós deve estar sendo guiado pelo impulso natural de manter a consciência coletiva desperta em como ser humano, por isso segue automaticamente a natureza do conjunto, da força que nos une enquanto espécie: o medo de perder a consciência do que são e do que poderão mantê-los coletivamente humanos no futuro!
Então, vi um jovem seguindo a multidão e indaguei novamente:
Por que vocês caminham nessa direção? O que ele me respondeu:
- Não te disseram que seguindo a multidão estaremos fortalecidos pela coragem de todos?
- Não entendo por que a coragem de todos me suportaria viver se ao nascer não tinha garantia nenhuma de que iria conseguir sobreviver em paz nesse mundo?
- É porque juntos somos fortes suficientes para enfrentarmos a precariedade da vida física – respondeu.
- Ainda não entendi porque tenho que vencer o que ainda não sei o que vou encontrar pela frente. Por que eu teria que me pré-ocupar, ou seja, me ocupar antes do tempo oportuno?
Deixei o jovem para trás e iniciei uma reflexão: Será que o medo de perder a consciência coletiva está associado a necessidade de garantir a permanência do ser na coragem externada por todos? Em outras palavras, será que nascemos fracos e indefesos e por isso naturalmente nos adaptamos a idéia de que não há saída para a sobrevivência a não ser se apoiar na coragem do grupo? A resposta da vida, então, se resumiria na superação de uma idéia coletiva de que existe um potencial fora de nós que destrói a nossa condição fraca de humano? O que se explicaria a adesão às massas (e de suas lutas) e não o caráter pessoal da existência.
Procurei prestar atenção nos rostos e modos de comportamento de cada um. Havia um padrão por detrás da aparência de individualidade livre: ausência de identidade pessoal! Então – pensei comigo – isso implica dizer que nos espelhamos no reflexo do tempo construído pelo medo de se perder a consciência grupal. O sentido que essa multidão segue é um reflexo da luz da consciência criada no espaço de experiências ao longo da história. Assim, seguimos no caminho apontado pela experiência grupal refletida por cada um em seu interior, mas que no mundo objetivo é o caminho oposto da fonte da luz consciente em si mesmo!
Procurei abordar uma moça que seguia a multidão e indaguei mais uma vez:
Por que vocês caminham nessa direção? O que ela me respondeu:
- Por que juntos saberemos encontrar melhor a felicidade – respondeu.
- Confesso que não entendi – respondi.
- Juntos poderemos trocar experiências humanas e assim descobrirmos a felicidade que deve estar entre nós – respondeu ela.
- Mas, como isso é possível se ao nascermos a felicidade era um milagre da vida no momento em que saímos de um estado para outro de experiências e descobertas? – respondi.
- Juntos e participantes no jogo das emoções ganhamos e perdemos na troca de prazeres físicos e psicológicos. A felicidade é o momento na transição de um estado para outro – respondeu ela.
- Mas se a felicidade é um jogo momentâneo poderemos estar num jogo de sinuca porque o sentido horizontal de experiência material pode ser o condicionamento das energias e dos vícios que realizamos na química e na (macro) física do corpo e pode não ter nada a ver com a dimensão (micro) profunda do espírito – respondi.
Mas uma vez segui em frente e refleti: o medo da perda da consciência coletiva faz com que os indivíduos busquem se fortalecer na coragem do grupo para descobrir no jogo das emoções uma razão lógica de ser feliz sem ser de fato.
Abordei um rapaz cansado vestido de terno e com uma maleta na mão. E indaguei:
Por que vocês caminham nessa direção? O que ele me respondeu:
- Juntos poderemos resolver as nossas necessidades materiais, pois ninguém é uma ilha – respondeu.
- Não entendi. Isto porque ao nascermos a vida não nos deu a necessária consciência da materialidade da vida. A nossa criação naquele momento uterino não foi uma ação necessária e trabalhosa, mas querida e amada por um poder maior espiritual – respondi.
- Ao caminharmos juntos cada um faz uma parte na construção do Todo material. E assim, na relação entre os mais aptos com os menos aptos vencem aqueles que aprendem melhor com o jogo competitivo da adaptação – ele respondeu.
- Isso que você está dizendo é instintivo e se resume em luta e conflito entre grupos distintos que buscam resolver seus problemas através da superação do outro refletido pela objetividade da consciência grupal. A unidade da vida e solução dos problemas serão eternos problemas e aparentes soluções porque em verdade a vida não é um jogo instintivo, mas uma criação poderosa da “mente” e desejo de cada um – respondi.
Deixei o rapaz para trás e iniciei uma reflexão. O medo de perder a consciência grupal fez com que nos apoiássemos na coragem coletiva para resolver a questão profunda e fundamental da felicidade, mas como a força da materialidade foi e é ainda muito grande na estrutura química e física do corpo nos deixamos levar pela superação do outro fora de nós na aparente percepção de que a realidade tinha uma equação matemática racional onde o resultado seria uma quantidade definida pelas variáveis chamadas forte e fraca, bom e mau, qualificado e não-qualificado, superior e inferior e todas as idéias de entes diferentes que a mente e o desejo pudessem conceber. Nesse sentido, o caminho da multidão inconsciente é o da incerteza do caminho, da ignorância de si, da infelicidade na luta consigo mesmo e da materialidade efêmera da vida. Por isso, continuarei seguindo quase que sozinho porque onde está o fim está o princípio de tudo: a morte da consciência grupal – o princípio da transcendência e da vida! Acordei feliz!
Moral do sonho: O sonho é uma realidade e renascimento para quem sabe sonhar!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com
04
jan
09

A Bola Começou a Rolar no Brasil – Por Amilton Silva

Teve início ontem (03), a 40ª Copa São Paulo Junior com 12 partidas.O futebol cearense conta com dois representantes, Fortaleza e Ceará que estreou tomando um goleada do São Paulo por 5 X 0.A equipe do Ceará não participava da competição a 31 anos.As equipes cariocas estrearam bem na competição. O Vasco venceu de virada o Mogi Mirim por 4 X 1, O Fluminense sofreu para derrotar o Sertãozinho por 1 X 0 . As equipes teoricamentes grandes do futebol paulista também estrearam ontem.O Corínthians, maior vencedor da copinha com seis títulos, estreou apenas com um empate de 1 X 1 com a equipe paraibana do CSP, ja o Palmeiras goleou o Cuiabá MT por 5 X 1.Os outros resultados da rodada inicial foram:

Desportivo Brasil 3 X 0 Baré RR
Cruzeiro 5 X 1 Rio Bananal ES
Rio Claro 1 X 0 Juventus AC
Ferroviaria SP 2 X 2 Castanhal
Lemense SP 2 X 1 Atlético Rondoniense
São Carlos 1 X 0 Democrata FC
Flamengo SP 1 X 0 Jaguaré ES

O Blog do Crato acompanhara este ano o campeonato cearense da primeira e segunda divisao.Os desportistas leitores do Blog que moram fora de nossa cidade ficaram atualizados com os representantes do Crato e Juazeiro do Norte , no caso , o Guarany, na luta para voltar a elite do Futebol Cearense.Tambem acompanharemos os principais campeonatos regionais do Brasil, que serao inciados neste mes de janeiro.

Por: Amilton Silva

04
jan
09

Falcatruas nas Operadoras de Planos de Saúde…


Constantemente nos deparamos com relatos de negação das operadoras do plano de saúde de liberarem a indicação de próteses feitas por médicos levando-se em consideração a idade, patologia, diagnóstico do paciente, bem como princípios farmacológicos, o qual reduziria em muito o risco de rejeição além do que seria mais apropriado para o estado de saúde do enfermo.

O pior é que na maioria das vezes o critério usado pelas operadoras do plano de saúde para a negação da cobertura das próteses indicadas é meramente econômico.

É inaceitável que as operadoras de plano de saúde queiram fornecer tratamento sob o critério unicamente econômico. A vida e qualidade de vida do segurado não podem ser mensuradas economicamente.

Deve haver uma distinção entre a patologia alcançada e a terapia. Não parece razoável que se exclua determinada opção terapêutica se a doença está agasalhada no contrato. Isso quer dizer que se o plano está destinado a cobrir despesas relativas ao tratamento, o que o contrato pode dispor é sobre as patologias cobertas, não sobre o tipo de tratamento para cada patologia alcançada pelo contrato.

Na verdade se fosse assim, estar-se-ia autorizando que a empresa substituísse aos médicos na escolha da terapia adequada de acordo com o plano de saúde do paciente. É de bom senso de que, quem é senhor do tratamento é o especialista, ou seja, o médico que não pode ser impedido de escolher a alternativa que melhor convém à cura do paciente.

O Poder Judiciário tem firmado entendimento no sentido de considerar abusiva e nula eventual cláusula contratual que coloque o consumidor/segurado em desvantagem exagerada, como é o caso da não cobertura de prótese imprescindível à realização da cirurgia por ser incompatível com o princípio da boa fé, do equilíbrio e da igualdade, constitucionalmente preconizados.

Ademais, evidente que quando ocorre a contratação de um plano de saúde, o que se pretende é a cobertura integral do tratamento. Negar o fornecimento de prótese cirúrgica, nesse contexto, significa negar a realização do próprio procedimento, ou seja, privilegiar, demasiadamente, o lucro do prestador do serviço em detrimento do direito à saúde do segurado/consumidor.

Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós Graduado em Direito Penal
Especialista em Danos Morais
E-mail: leopoldo.advogado@ig.com.br

04
jan
09

CARIRI – Clima de Natal continua nas ruas com o Reisado

Jovens e crianças do Reisado Decolores Dedé de Luna, do bairro Muriti, no Crato, já fazem apresentações pelas ruas da cidade. Ritual contribui para a formação de cidadãos dotados de memória coletiva e identidade cultural (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Ritual prossegue até esta terça-feira, Dia de Reis. Grupos de rua encenam visita dos reis magos ao Menino Jesus

Crato. O clima ainda é de Natal no Cariri. Na periferia do Crato, os grupos de Reisados revivem uma tradição cristã que começa na noite do dia 24 e vai até o dia 6 de janeiro, data em que os católicos celebram o Dia de Reis, quando os três reis magos – Melchior, Baltazar e Gaspar – adoraram Jesus Cristo, recém-nascido. Nesta data, os católicos encerram os festejos natalícios, com o desmonte dos presépios e a retirada de todos os enfeites natalinos. As principais figuras do Reisado são os três Reis Magos, a Cigana, os Caretas, a Burrinha, a Ema e a Jaraguá. De acordo com a tradição, o reisado sai às ruas a partir do dia 25 de dezembro para louvar o nascimento do Santo Rei e termina no dia 6 de janeiro. Na versão dos mais jovens, Reisado é sinônimo de folga, porque seus representantes saem principalmente aos sábados, domingos e feriados. No entanto, o termo refere-se também a uma dança dramática popular que reproduz, por meios simbólicos, a jornada dos Reis Magos ao encontro do Messias nascido em Belém. As festividades natalinas católicas abrem um ciclo rotativo de comemorações e de celebrações de ritos sagrados, voltados para a afirmação de vida e da morte. Este ciclo de festas religiosas reatualiza fatos históricos ocorridos há mais de dois mil anos e revela a forma alegre como os mais pobres representam tais fatos.

Sabedoria popular

Uma das mais legítimas representantes dessa manifestação cultural é Maria José de Oliveira Luna, conhecida como Mazé, 49 anos, que juntamente com a suas irmãs, Maria da Penha e Expedita Luna, herdaram duas importantes riquezas culturais do Cariri: a sabedoria popular e a desempenho artístico. Filhas do agricultor e mestre da Cultura Dedé de Luna, fundador de um grupo de Reisado masculino, as três imãs cresceram ouvindo o som do Reisado no terreiro de sua casa. Enquanto os brincantes levantavam a poeira do chão batido, elas assimilavam a música e a dança do Reisado. Trabalharam na interpretação de cânticos, confecção de indumentárias e, mais tarde, também na criação de peças (rimas) e na estética do grupo. Atualmente, os grupos folclóricos das irmãs Luna são os mais autênticos representantes dessa manifestação natalina na Região do Cariri, marcada por uma forte religiosidade popular, interpretada e vivida por pessoas simples, que fazem suas orações sempre cantando e dançando.

Mulheres no Reisado

Com a morte do pai, as três irmãs assumiram o comando do Reisado Decolores Dedé de Luna, do bairro Muriti, e coordenam a Lapinha de Mãe Celina, que homenageia sua mãe. Além disso, para estimular o gosto pelo folclore entre as crianças e os adolescentes, criaram o Reisado Infantil e um grupo de dança do coco, chamado Coco Mestre Dedé de Luna do Muriti. O nome Decolores é uma homenagem ao Cursilho de Cristandade, movimento da Igreja Católica que consiste, em princípio, num encontro destinado a orientar os fiéis adultos leigos no sentido de fazerem uma reflexão acerca dos fatos fundamentais da fé cristã e das consequências práticas que dela decorrem, influenciando o comportamento do indivíduo e também as relações que este estabelece com a comunidade.

Formação de cidadãos

A Mestra Mazé é uma das criadoras da Fundação do Folclore Mestre Eloi e, atualmente, integra o seu Conselho de Mestres do Saber Popular. Atenta para o respeito, a fraternidade e a auto-estima da vizinhança, a folclorista contribui para a formação de cidadãos dotados de memória coletiva e de identidade cultural na região do Cariri. Para ela, a única dificuldade para continuar o ofício é conseguir transporte para todos os brincantes.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

TRADIÇÃO

“A grande dificuldade para continuar é conseguir um carro para transportar os brincantes”
Maria José Luna, a ´Mazé´
Folclorista

“Estamos mantendo uma tradição deixada por meus pais e reverenciando o Deus Menino”
Maria da Penha Luna
Folclorista

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Reisado é manutenção do folclore

O Reisado, que tem origem portuguesa e data do século XVIII, constitui-se num dos mais tradicionais folguedos folclóricos, adquirindo formas singulares de acordo com os costumes de cada região e a identidade cultural do lugar sem deixar de preservar o enredo principal do auto natalino, que é a dramatização da visita dos três reis magos ao Menino Jesus, interpretada por grupos que se fantasiam e saem de porta em porta, anunciando a chegada do Messias, tocando e cantando músicas folclóricas em troca de comida e bebida. Definido como Reisado de Congo, o grupo de Reisados “Dedé de Luna” apresenta uma dimensão religiosa e uma cômica, o que explica a presença de elementos simbólicos como Presépio, Burrinha, Bobo da Corte e Catirina. Além disso, apresenta também uma hierarquia tão verticalizada quanto a sociedade colonial, canavieira e escravista que forjou as bases para a sua recriação artística. Dentre os personagens citados até então, há uma valorização de lendas conhecidas e do Reisado enquanto brincadeira de crianças e adultos. Mas, apesar do número de componentes e da diversidade de figuras, os conflitos sociais não afloram durante as apresentações. Como a tática de muitos brincantes consiste em colocar crianças, adolescentes e adultos revezando-se na atividade, espera-se que o folclore regional permaneça por muito tempo. A proximidade com o Reisado desperta o desejo de participação e um novo olhar sobre os saberes populares e tradicionais. Porém, a idéia não é ganhar dinheiro com apresentações em festas e palcos. Para a mestra, trata-se de manter o folclore e a cultura regional.

ELDINHO PEREIRA DA SILVA *
eldinhopereira@bol.com.br
* Professor, historiador e agente cultural do Imopec, no Crato

Mais informações:
Professores Eldinho Pereira da Silva e Miralva Gudes
(88) 3523.7347
Grupo de Reisados Dedé de Luna
(88) 3521.0204 / 3521.2347


Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste

04
jan
09

O que vocês acharam das mudanças no Blog do Crato ?

Olá, Pessoal,

stou fazendo umas mudanças no Blog do Crato: Diagramação, cores, fontes, etc…gostaria de saber com sinceridade se vocês gostaram das mudanças, ou se preferem o modelo anterior. Aceito opiniões, sugestões de cores, etc… e se a maioria achar que era melhor da forma que estava, eu posso reverter facilmente as mudanças. O objetivo é sempre melhorar. Por exemplo, agora o espaço para textos foi aumentado. Antes, ficávamos confinados naquela estreita faixa de textos. Agora não mais. Mas ainda não terminei todas as edições e idéias que tenho em mente…

Abraços,

Dihelson Mendonça

03
jan
09

Encontro de artistas para definição da agenda no "Olhar Casa das Artes"


Por: Alexandre Lucas




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